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Quando a IA passa a agir por nós, o papel humano muda de lugar

Revisão sobre IA generativa e agentes de IA defende que humanos passam a definir objetivos e limites.

Por Thiago Botti2 min de leitura

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Quando um assistente de IA deixa de só sugerir e passa a agir por você, quem fica no comando? Uma revisão da literatura publicada defende que a IA não elimina o papel humano, apenas o muda de lugar. Em vez de executar, as pessoas passariam a definir objetivos dos projetos, dar permissões e revisar os resultados.

O autor, Loso Judijanto, não fez experimentos, ele reuniu estudos de áreas como computação, administração e psicologia, publicados entre 2020 e 2026, e os organizou em sete temas. A escolha das fontes foi feita sem a busca exaustiva de uma revisão sistemática. Daí nasceu um modelo teórico, chamado de ECRIG, que liga a evolução da tecnologia aos papéis humanos e regras de controle.

Os números vêm de pesquisas de outros grupos. Num estudo, o ChatGPT reduziu em cerca de 40% o tempo gasto em tarefas de escrita. Já uma meta-análise, que junta dados de 106 experimentos, mostrou que, em média, a dupla humano e IA rendeu menos que o melhor dos dois trabalhando sozinho. Para o autor, a parceria só funciona sob certas condições, e confiar demais na máquina, mesmo com explicações, pode levar a aceitar erros.

Na prática, essas ideias podem ajudar empresas e serviços a se preparar antes de conectar um agente de IA, programa que executa tarefas por conta própria, a sistemas reais. Um agente que faz compras, por exemplo, poderia ter limite de valor, registro de cada ação e aprovação humana obrigatória para decisões arriscadas. Na escola, a sugestão é ensinar mais do que escrever comandos: checar respostas e reconhecer quando a máquina inventa informação.

O ECRIG e a fórmula proposta para dosar a autonomia da IA ainda não foram testados; o próprio autor diz que a fórmula é uma regra prática, não uma equação calculada com dados. O artigo também não informa quantos estudos analisou nem onde buscou, e a interpretação foi feita por uma só pessoa. Sobre agentes, as evidências ainda são poucas, e segue em aberto se o uso prolongado da IA nos ensina ou enferruja nossas habilidades.

Por experiência própria, usando IA no trabalho todos os dias, fica cada vez mais claro pra mim que o papel do profissional de tecnologia já mudou. Ganhamos uma companheira inseparável que acelera o processo, mas o ganho não vem de graça: é preciso saber o que pedir e, principalmente, revisar com cuidado o que foi entregue.

Thiago Botti

Escreve aqui sempre que possível sobre tecnologia.

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