Saúde
Sistema usa mamografia para estimar risco de câncer de mama
Modelo BREST-AI usa mamografias normais para estimar o risco de câncer de mama em três anos.
Por Thiago Botti2 min de leitura
Uma mamografia sem nada suspeito traz alívio e, no Reino Unido, a próxima só vem dali a três anos. Mas e se essa imagem normal já guardasse pistas do futuro? Pesquisadores britânicos criaram o BREST-AI, uma inteligência artificial que analisa esses exames e estima quais mulheres têm mais chance de receber um diagnóstico de câncer de mama nos três anos seguintes. O estudo saiu na revista npj Breast Cancer, com revisão por pares.
O sistema aprendeu com imagens de 58.591 mulheres do serviço público de saúde britânico, em etapas, como numa escola. Primeiro viu recortes de lesões, depois aprendeu a detectar câncer em mamografias inteiras e, por fim, a calcular o risco com as quatro imagens de cada exame. No teste, mulheres que mais tarde tiveram câncer foram comparadas a outras parecidas que não tiveram, no Reino Unido e nos Estados Unidos. O rival foi o Mirai, um modelo aberto e já bem validado.
No principal teste britânico, o BREST-AI separou melhor quem teria câncer: nota de 0,751 contra 0,700 do Mirai, numa escala em que 0,5 equivale ao acaso e 1 à perfeição. A vantagem se manteve em aparelhos de outro fabricante, ainda que com desempenho um pouco menor. Nos Estados Unidos, a diferença não foi significativa, e a amostra era pequena demais para conclusões. Em estimativas ajustadas à realidade inglesa, cerca de 8% das mulheres do grupo de maior risco teriam câncer, contra 4,1% no grupo apontado pelo Mirai.
A proposta dos autores é usar o sistema depois que os radiologistas leem o exame e não encontram nada, sem substituí-los. Mulheres sinalizadas poderiam fazer ultrassom ou ressonância, ou voltar em um ano em vez de três. Tudo aproveitaria imagens que já existem, sem novas consultas nem testes genéticos. Por enquanto, são possibilidades que ainda precisam ser testadas.
Os ganhos práticos são estimativas, já que o estudo não acompanhou mulheres no rastreamento real. Quem tinha achados benignos ficou de fora, o que pode deixar o desempenho otimista, e as probabilidades do modelo precisam ser recalibradas para cada local e fabricante antes de virar um risco em porcentagem. Os próprios autores pedem estudos que sigam mulheres ao longo do tempo antes de qualquer uso clínico.
A inteligência artificial vem mostrando um potencial enorme na medicina, e pesquisas como essa ajudam a entender até onde podemos chegar. Imagine conseguir identificar riscos antes mesmo de aparecerem sinais de uma doença, usando exames que já fazem parte da nossa rotina. Ainda temos um caminho pela frente até que isso seja aplicado na prática, mas é animador pensar no quanto a tecnologia pode contribuir para diagnósticos mais precoces e cuidados mais personalizados.

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