Educação
Como será o futuro da educação a distância?
Levantamento de 238 estudos mostra que a pesquisa sobre IA no ensino online cresceu após 2021 e passou a focar o professor. Veja os limites.
Por Thiago Botti2 min de leitura
Quem faz curso online talvez já tenha recebido um exercício ou um comentário escrito por uma ferramenta como o ChatGPT. Dois pesquisadores decidiram mapear o que a ciência publicou sobre inteligência artificial no ensino a distância. O assunto cresceu muito nos últimos anos e, segundo eles, o foco saiu da máquina e foi para o professor.
O estudo, publicado com revisão por pares no Journal of Education Method and Learning Strategy, é uma análise bibliométrica: um levantamento que conta e relaciona publicações e palavras-chave para enxergar tendências. Yundong Wu e Jiani Wu buscaram no Google Scholar e no Scopus trabalhos de 2000 a 2025. De 1.286 registros iniciais, sobraram 238 depois de uma triagem que descartou duplicatas e textos sem aplicação educacional.
Metade desse material, 119 trabalhos, saiu entre 2021 e 2025. Os Estados Unidos lideram, com 21,8% das publicações, seguidos de China e Reino Unido. Os autores agruparam as palavras-chave em cinco temas: planejamento de aulas com IA, ensino personalizado, avaliação e feedback, mudança no papel do professor e regras para o uso ético da tecnologia.
Para quem ensina ou administra cursos online, o mapa pode servir de guia. Ele aponta usos frequentes da IA generativa, a que cria textos e exercícios, como preparar materiais e dar retorno aos alunos, e sugere que formar professores e criar regras de privacidade pode pesar tanto quanto a ferramenta. Uma faculdade poderia, por exemplo, rever provas para valorizar o processo e o pensamento crítico, em vez de respostas que um robô escreve em segundos.
Os limites contam. Embora o título fale em IA generativa, a busca incluiu inteligência artificial em geral desde 2000, bem antes do ChatGPT, e a ideia de que a IA virou assistente do professor é interpretação da literatura, não algo medido em sala. A análise de citações foi prometida e não aparece, a "relação forte" entre termos vem sem números e países em desenvolvimento quase não entram no levantamento, então falta saber se esse retrato vale para realidades como a nossa.

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