Educação
Estudantes enxergam a IA de jeitos diferentes conforme o curso
Pesquisa com estudantes australianos mostra que a opinião sobre IA generativa muda conforme a área de estudo e o idioma nativo.
Por Thiago Botti2 min de leitura
Um aluno de engenharia e outro de medicina podem usar o mesmo ChatGPT e chegar a opiniões bem diferentes sobre ele. É o que aponta uma pesquisa feita em uma universidade australiana, cerca de dois anos depois que a IA generativa se popularizou. Essas são as ferramentas que escrevem textos e respondem perguntas a partir de comandos. Para os autores, o resultado indica que uma regra única para toda a universidade talvez não sirva para todo mundo.
A equipe aplicou um questionário online entre maio e julho de 2024. Começaram a responder 1.014 estudantes, mas muitos desistiram no caminho, e 661 chegaram à parte em que davam notas a afirmações sobre a utilidade da IA. Havia ainda perguntas abertas, lidas uma a uma e agrupadas por tema. O estudo foi publicado em revista científica, depois de passar por revisão por pares.
Os cursos de ciências exatas e tecnologia e os de educação mostraram mais aceitação. Já os estudantes de ciências clínicas e da saúde e os de negócios foram mais céticos quanto à precisão e à ética. A frase com mais apoio foi a de que a IA dá sugestões úteis, e a menos apoiada, a de que ela deixa a pessoa mais criativa. Quem tem o inglês como segunda língua avaliou melhor em todos os itens: no quesito encontrar erros, o resultado foi de 27,7% contra 7,3% entre os nativos.
Na prática, o estudo dá pistas para as universidades. Muitos alunos nem sabiam se podiam usar a IA, e por isso pediram diretrizes claras e oficinas sobre uso responsável. As sugestões mudam de área para área: em exatas, comparar a própria resposta com a da máquina para checar se ela acertou; em cursos ligados à saúde, simular entrevistas e casos clínicos; em educação, ajudar a montar planos de aula. São ideias dos próprios estudantes, que ainda não foram testadas em sala.
Há limites importantes. Os dados vêm de uma só universidade, refletem o que os alunos dizem e não o que eles realmente fazem ou aprendem, e as diferenças entre grupos não passaram por testes estatísticos. Algumas áreas tiveram pouquíssimas respostas, e várias explicações, como a de que estrangeiros usam a IA para corrigir a gramática, ainda são suposições dos autores. Falta saber se o mesmo padrão aparece em outras instituições e em outros países.

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